segunda-feira, 10 de maio de 2010

Baixo nível em Altas Horas

Eu não sei como ainda fico surpresa com o nível dos programas de TV. Já faz tempo que tudo vai de mal a pior, mas como sou viciada em televisão, tento o máximo que posso tirar bom proveito de um programa aqui, uma novelinha ali. Eu sei que essa caixinha é uma merda, que só serve pra "evaporar o cérebro", como disse Miss Daisy, mas cada um com seus problemas. Eu não me meto nos vícios alheios, então não se metam nos meus! Não dou chá de moral no flanelinha aqui da rua que cheira cola, não discuto os malefícios do álcool meus tios cachaceiros, não critico o Tiger Woods por sua dependência sexual, muito menos incomodo minha mãe pra parar de fumar. Cada um sabe dos seus vícios e sabe o quanto é difícil parar. E não tem coisa mais chata do que ouvir o seguinte comentário, de uma pessoa supercorreta quando tu acende um cigarro: "sabia que isso vai te matar?" Que gente mais insuportável! Como disse um sábio artista musical, cada um no seu quadrado.
E como meu vício em TV não prejudica ninguém, além de mim mesma, vou continuar assistindo até quando me der na telha!

Voltando ao assunto, é incrível como programas que foram bons por duas ou três semanas continuam tão bem quistos passados dez anos, sendo que estão cada vez mais clichês e entediantes. A madrugada é o período menos pior de programação televisiva, exceto aos sábados, quando não temos opções além dos filmes pornôs da Band. Aí um dias desses o Altas Horas conseguiu a façanha de me prender apenas porque o MV Bill estava sendo entrevistado. Adoro ele, pelo artista que é e mais ainda pelo homem, por suas ideias, opiniões e franqueza. Ele falou do filme no qual atuou recentemente, interpretando um presidiário. Gostei muito de ver algo útil na televisão naquela madrugada, apesar de detestar quando a platéia começa a fazer aquelas perguntas estúpidas, tipo: "qual o momento mais marcante na tua carreira?", "qual recado tu gostaria de dar pra aqueles que estão começando" ou "como começou tua carreira", pergunta feita, por exemplo, pra Milton Nascimento. Que gente burra! Não tem algo interessante pra perguntar, cala a boca! Mas o pior é quando o entrevistador, no caso apresentador, resolve dar uma de anta. A última pergunta do Serginho pro MV Bill foi: "e você, já foi preso?" Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem... Santo Deus! Isso é pergunta que se faça?? Por acaso alguém perguntou pra Ana Paula Arósio se ela já se prostituiu, por ela ter estrelado Hilda Furacão? Ou questionaram o Clint Eastwood se alguma vez praticou a eutanásia, como em Menina de Ouro? Será que alguém perguntou à Demi Moore se ela já havia feito sexo com um fantasma, fora do Ghost? Gente, isso é ficção. Deve ser difícil distinguir vida e arte, né? Nãããããão, é mentira! Isso é preconceito, é racismo! Só porque o cara é negro, tem que ouvir esse tipo de pergunta. Só porque nasceu e viveu numa favela é provável que tenha sido preso, claro! Negros, pobres, favelados não têm outro destino. E só "viram artistas" depois de passar pelo mundo do crime e se arrependerem. Isso é absurdo!
Eu que nunca fui com a cara de jornalistas/entrevistadores/apresentadores, agora estou totalmente decepcionada...


E nós ainda escutamos sempre tais baboseiras: "Imagina... a escravidão acabou e o racismo também", "O Brasil é um país de todos, livre de preconceito" e "a mídia é totalmente neutra". Hahahahaha.

Que vergonha pertencer a esse mundo.

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