terça-feira, 22 de junho de 2010

Que merda!

Minhas mãos tremem mais do que de costume e meu coração parece que tá na garganta. A tremedeira é tanta que acabo de apertar algumas teclas involuntariamente. Uma amiga disse esses dias que certas coisas acontecem apenas com certas pessoas. Acho que ela tem razão e que estou predestinada a passar por situações constrangedoras e ridículas. E as mais engraçadas (sim, porque eu tenho que levar pra comédia, senão me atiro pela janela) envolvem o mesmo assunto. Vocês não imaginam a merda que eu acabo de fazer! E quando digo merda é merda literalmente. Então previno as pessoas que têm nojo de falar em cocô, vômito e nojeiras em geral para não prosseguirem a leitura. Tô avisando e quem avisa, amigo é.



Diferentemente da maioria das pessoas que conheço eu não tenho nenhum problema em fazer minhas necessidades básicas sólidas fora de casa e até invejo quem consegue segurar o cocô até a hora de ir pra casa. Porém não consigo esperar, se é aquela vontadinha até dá pra segurar uns minutinhos, mas se é uma cagada que espero há 5 dias, corro pro banheiro. E foi assim que fiz agora pouco. Só que estou num trabalho novo e é numa residência chiquérrima, que tem 3 banheiros, um auxiliar, um da suíte e o do corredor, que é o que eu uso. Tudo bem, essa não é a primeira vez que faço minhas necessidades aqui, mas a coisa ficou feia devido a alguns agravantes... Primeiro: eu não ia ao banheiro há 4 dias e a última vez foi meio estranha, acompanhada de umas cólicas e tal, mas nada de mais. Segundo: a casa onde estou fazendo esse trabalho normalmente está calma, apenas com a presença da dona da casa, sua secretária, às vezes a moça que limpa e vez ou outra uma de suas netas. Terceiro: eu ainda não tinha feito um test drive da potência da descarga do vaso sanitário. E hoje tudo saiu do controle, meu corpinho liberou uns 2 quilos de... alimentos que meu organismo não aproveitou, a patente não é eficiente como eu gostaria e a família toda da dona da casa estava reunida num churrasco. Ela, filhos, netas, secretária, a moça da limpeza, o cachorro, TODO MUNDO! Que infortúnio. O mais divertido (ironia) é que tinha pessoas que eu ainda não conhecia, aí é foda né? A primeira impressão é a que fica e eles iriam lembrar pra sempre da bibliotecária cagalhona. Pelo menos, um familiar que mora aqui não estava presente e ele é uma importante figura pública. Eu iria lembrar do acontecido e morrer de vergonha toda vez que o visse na TV ou na rua. Ainda bem que ele é superocupado pra churrascos em família ao meio-dia de uma terça-feira.



Vou direto ao ponto porque as preliminares não têm importância nesse caso. Logo que cheguei ao trabalho me ofereceram um café e eu aceitei. Apesar do momento dos comes terem acabado, a confraternização continuava, num ir e vir de pessoas pela casa. Aí me deu aquela vontade irresistível, impossível de resistir mesmo, de ir ao toalete (como sou chique!). Fui e fiz o que deveria, foi um alívio. Mas quando levantei e olhei a quantidade de... alimentos que meu organismo não aproveitou, rezei para a descarga ser superpotente. Comecei a rezar apertei o botão uma vez, não desceu nem metade, apertei de novo, ninguém se mexeu, aí lembrei daquela escovinha que tem atrás do vaso e percebi que nunca na vida achei aquilo tão importante. Apertei a merda com aquilo pra ver se desmanchava, dei a descarga de novo e nada. Só que a escovinha estava toda cagada. Aí lembrei daquela mangueirinha que inventaram pra substituir os falecidos bidês e graças a deus o jato dela era forte. Só que nisso alguém tentou entrar no banheiro e ficou por ali no corredor conversando com outras pessoas e com a dona da casa, já que o quarto dela é bem em frente ao banheiro. Então eu estava preocupada em dar a descarga tantas vezes, eles poderiam achar que eu tinha entupido o vaso com meu cocô e o que eles pensariam de mim? Que eu tenho cú como eles e todas as pessoas do mundo (eu acho), normal. Mas não sei porque as pessoas criaram esse constrangimento todo em volta das necessidades básicas. Enfim, depois de cagar tudo aquilo, eu estava me cagando de vergonha que alguém percebesse a cagada que eu tinha feito. Aí lavei a escovinha com a mangueira e dei mais um jato no vaso. Restaram uns 15% de merda que insistiam em não descer, pensei em tentar desmanchar aquele "pedaço", aí tive que pegar a escovinha novamente que já estava limpinha e apertei aquele cocô desgraçado com toda minha força. Dei a descarga de novo, não adiantou, peguei a mangueira e fiquei apertando por uns minutos contra a bosta. Dei descarga de novo, aí saiu tudo. Só que a escova estava toda, toda, toda cagada, aí peguei a mangueira e fiz o que pude, mas ainda ficaram uns grãos (viu como eu como fibras?) não sei do que presos nas cerdas e eu me fiz de cega e guardei ela lá atrás da patente. Mas o martírio ainda não havia acabado, o louça lá no fundo estava suja (odeio louças brancas!) e eu me negava a pegar a escova novamente, então peguei muito, muito, muito papel higiênico e enfiei a mão lá. Depois de duas remessas de papel saiu tudinho. Só uma coisa ainda me deixava nervosa, o fedor que estava no ar associado à falta de refil dentro daqueles troçinhos perfumados grudados na parede. Vasculhei, tentando não fazer barulho - eu achava que o prédio inteiro estava ouvindo minhas peripécias em volta do cocô - todas as portas e gavetas dos armários procurando o refil daquilo ou um perfume, mas não tive sucesso. Sem hesitar peguei um desodorante em spray, que não de quem é e espalhei por todo o banheiro. Ainda abri a tampa do vaso mais 3 vezes antes de sair pra ter certeza que nenhuma bosta tinha voltado renascida do inferno, pra me aterrorizar. Mas como sou uma pessoa iluminada, estava tudo resolvido. Fiz uma cara de paisagem, destranquei a porta e saí pelo corredor com toda a naturalidade do mundo, rezando para que não tivesse ninguém no corredor e para que nenhuma criatura entrasse lá nas próximas horas. E rezei também para que ninguém percebesse que eu fiquei lá por quase uma hora.