segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Há tempos... e a solidão inveterada

"Parece cocaína
Mas é só tristeza
Talvez tua cidade
Muitos temores nascem
Do cansaço e da solidão
Descompasso, desperdício
Herdeiros são agora
Da virtude que perdemos...

Há tempos tive um sonho
Não me lembro, não me lembro...

Tua tristeza é tão exata
E hoje o dia é tão bonito
Já estamos acostumados
A não termos mais nem isso

Os sonhos vêm e os sonhos vão
E o resto é imperfeito

Dissestes que se tua voz
Tivesse força igual
À imensa dor que sentes
Teu grito acordaria
Não só a tua casa
Mas a vizinhança inteira...

E há tempos
Nem os santos têm ao certo
A medida da maldade
E há tempos são os jovens
Que adoecem
E há tempos
O encanto está ausente
E há ferrugem nos sorrisos
Só o acaso estende os braços
A quem procura
Abrigo e proteção...

Meu amor!
Disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem
Lá em casa tem um poço
Mas a água é muito limpa..."






E o vazio só aumenta. Ele sente sua energia esvair, mas não sabe o motivo. 30° lá fora e ele o dia inteiro na cama, dormindo, sonhando, pensando, chorando, sofrendo, querendo sem saber o que querer. Angustiado ele tenta manter um diálogo banal com alguém, em vão. Impossível se concentrar em qualquer assunto. Ele responde que está ótimo, para a irmã ao telefone. O que mais pode dizer? Que preferia estar morto? Isso não é coisa que se diga à irmã. Ela não entenderia... O estômago dói porque, afinal, ele não comeu nada desde sábado à noite. Ele queria um abraço, mas não tinha coragem de pedir. Queria que alguém o confortasse, o fizesse se sentir vivo, amado, aceito. Ele precisava de cuidado, de carinho, da atenção do outro, para se perceber ele mesmo novamente. E o que vai ser dessa noite? Ele espera, confiante, passar por essa noite em paz. Que os demônios durmam, que ele durma, que o sol nasça e faça desse novo dia um alívio para sua alma.

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