quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sobra tanta falta

Alguém um dia disse que a dor que mais dói é a da saudade. Não sei se concordo, mas que dói, dói, impossível negar. Sentir falta de um amor perdido pelo fim do romance não conta né? Sei que é doído também (sei mesmo, experiência própria, mais de 1o vezes), mas nem se compara à saudade de quem foi e não vai voltar. Nunca. Nunca mais. O infinito me amedronta, mais ainda se com a ânsia de entendê-lo, vem também a angústia de saber que nunca mais teremos determinada criatura por perto...


Nunca é bastante tempo e não me convencem aqueles que dizem para nunca dizer nunca. Ou alguém aqui fala com os mortos? Se eles falam, deveriam falar cara a cara, em voz alta, em potuguês, assim como era quando eram vivos. Por que tem que aparecer em sonho, como uma mancha branca, sussurrando algo inaudível?? Por que tem que ser uma cabeça flutuante chamando quando a gente desmaia? Por que só pode falar pra um desconhecido e numa sessão espírita? É tudo muito estranho e abstrato pro meu gosto. Então não adianta querer me persuadir, infelizmente não acredito em vida após a morte. Digo infelizmente porque me parece mais fácil para as pessoas de fé aceitarem suas perdas.


Às vezes eu queria acreditar. E ficar sonhando com o dia em que encontraria aqueles que se foram e só deixaram saudades. Lá vem a saudade de novo. Sentir saudade de um amigo que está noutro país, de um namorado que foi viajar, de uma música há tempo não tocada, do cheiro do mar, de sacolé de uva... nada disso é irremediável, é só ligar a webcam, pegar um avião, baixar a música da internet, esperar o fim de semana e rumar ao litoral, ir ao Passo das Pedras e parar na 1ª casa que tenha uma placa 'VENDO SACOLÉ'. Aí seus problemas estarão resolvidos!


Mas e quando não tem solução? O que se faz? Fica triste, remói, chora e se arrepende de não ter aproveitado melhor o tempo quando estavam juntos. Depois vem a culpa, a martirização, a auto-destruição e a percepção do quanto a vida é frágil. Ele estava ali ontem... um minuto atrás... no mês passado... e agora... nunca mais. E agora só resta lembrar, relembrar, manter na memória as boas lembranças e ter sonhos, noite sim, noite não, com quem se foi. E como sonho fragiliza! A gente acorda com a nídita sensação de que está faltando algo em nossos braços, algo que precisamos afagar, acariciar, algo-alguém por quem não se pode procurar, não adianta telefonar, mandar e-mail, bater à porta, ele não está mais aqui... Fica apenas o vazio e a falta que se sente não parece diminuir com o tempo, como dizem. Sobra tanta falta.

Eu não queria fazer o discurso da 'terapia do remorso', mas pô, não te amarra, cara! Se quer se declarar a alguém, se desculpar, se explicar, esclarecer algo que vá te deixar tranquilo, feliz, vá fazer! Vá logo porque, infelizmente, a gente não tem prazo de validade.

domingo, 21 de agosto de 2011

Hey dear writers!*

Sabe algo que me irrita profundamente? É estar deliciada numa leitura nos blogs/sites e coisas do gênero e me deparar com uma frase em inglês. É broxante. Primeiro tento adivinhar, contextualizando e tal. Depois recorro ao tradutor mais próximo, com muita resistência e blasfemando contra o autor do texto. Porra! Eu sei que sou uma total inútil que nunca se prestou a fazer um curso de inglês, superando isso com um espanhol cretino para passar pela faculdade. Mas, tchê, estamos no Brasil e aqui a gente fala português! E olha que eu adoro pesquisar em dicionários, adoro aprender, mas dá uma preguiça... tá, não é só isso. Antes que me matem não estou apoiando o projeto do Aldo Rabelo, não quero ficar longe do mouse, do link, do site, do milk shake, do hello, não é nada disso. Mas tudo tem limite né? Essas expressões até um cachorro (nascido e criado no Brasil) sabe o que significa.

Eu não sou sou uma chata, burra que quer morrer burra. Pelo contrário, um dia quero aprender inglês e outros idiomas, mas não pra ficar esfregando na cara dos pobres mortais que mal falam português, e sim porque tenho esse interesse. Tá certo que o google tradutor melhorou muito desde meus tempos da faculdade, mas ter que recorrer a ele a cada 2 minutos é foda! Quando é um texto enooorme então? Ou toda uma entrevista, reportagem? Cansa. Apesar de eu ter consciência de que estou agregando conhecimento, cansa.

Sei que uma galera (acho que quase todos os blogs) que eu sempre leio já morou fora do país e fala fluentemente o inglês, mas não custa dar uma traduzidinha pros ignorantes aqui né? Vocês não precisam abrir mão das expressões que estão acostumados a usar, mas têm algumas bem incomuns por aqui. Basta traduzir ou dar um link pra tradução que já seria um grande serviço aos seus leitores! Sei também que esses blogs têm leitores no mundo todo, mas já que é escrito aqui bem que poderia pensar nas pessoas daqui, cujo idioma oficial é o português.

Facilitemos a vida alheia e apreciemos o nosso tão querido vernáculo! (ahaa agora vocês é que vão correr pro dicionário, né?)




*Ei queridos escritores!

sábado, 20 de agosto de 2011

Para não esquecer


"Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza."

(García Márquez, Gabriel. Memórias de minhas putas tristes. Rio de Janeiro: Record, 2005.)




Isso se confirma a cada dia... como seu eu tivesse alguma dúvida. Quanto mais o tempo passa, mais eu sei e mais me aceito, e não me envergonho.

sábado, 6 de agosto de 2011

Um balanço do dia de ontem

Apesar de ter finalizado o dia de ontem um pouco chateada com a ausência de algumas manifestações, a alegria prevaleceu. Acho que eu estava cansada e com a 'pança' lotada de sushi e aí veio a tristeza hehehe. Fazer essa análise no final do dia seguinte foi mais sensato porque pude perceber que não fui esquecida e que tenho amigos ocupados o bastante pra só conseguir dizer parabéns com atraso. Se bem que eu nunca me importei com isso, creio que antes tarde do que nunca. E o nunca que é foda! Vamos lá.



14 abraços



08 sms



07 telefonemas



03 emails



02 recados no orkut



02 parabéns a você



01 carta



E mais alguns presentinhos materiais.



Ah e dos atrasados:



02 abraços



01 telefonema



01 sms



01 email



01 parabéns por msn



Me parecem bons números. Se bem que eu nunca tinha feito esse levantamento antes, então não tenho parâmetros. O que me surpreendeu foi a reação de alguns clientes da Cafeteria, recebi abraços carinhosos de pessoas que eu não esperava e no entanto vi a apatia em outros que eu julgava serem próximos a mim. Ah que se fodam!




Disparado o mais divertido desse dia 04 foi ver minha mãe bem doidona no jantar (no café da manhã também, deve ter sido no dia inteiro, mas não posso garantir porque eu não estava lá) e sem qualquer tipo de... digamos... estimulante. A não ser tinta de cabelo, será que invadiu o cérebro e deu barato? Preciso voltar a pintar minha juba. Sabe quando a pessoa ri à (tem crase aqui?) toa? Tipo gente feliz, tá ligado? Era assim que mami estava. Deve ter fumado um cigarrinho do capeta escondida no banheiro. É a única explicação para noite ter terminado assim:







Malditos jovens!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

3.1

Agora começo a entender melhor o desespero da Bridget Jones, pobre Bridget! Nada como estar no lugar - ou melhor na idade - da pessoa pra entender seus anseios. A coitadinha tinha medo de morrer solteirona e ser encontrada pelos vizinhos, dez dias depois, semi-comida pelos cães. Confesso que não precisei passar dos 30 pra ter esse medo, mas graças que agora não tenho mais cachorros. (não acredito que eu disse isso!)


Parece que foi ontem que escrevi o top 30 e cá estou eu novamente na véspera fatídica... devorando minha barra hershey's favorita (e é a última, pobre de mim!), ouvindo a Amy e pensando no que esperar daqui pra frente. Agora definitivamente estou nos 30 (definitivamente não sei porque, como se até ontem eu pudesse evitar, helloou Carol, o inevitável aconteceu: você nasceu em 1980 e os números não mentem - por mais que algumas pessoas o façam).


Algo que me deixa levemente animada, apesar de tudo, é perceber que eu até que tô conservada - odeio essa palavra, parece livro antigo que foi mantido sob as condições ideais de higiene, temperatura, armazenagem e etc - em comparação com certas criaturas, como essa da foto abaixo.


Cara, eu fiquei espantada quando soube que ela é 7 anos mais velha que eu. Parece uns 20! Coitada, entrou mesmo na nóia da tal beleza acima de tudo. Se bem que não sei não, ela tem cada uma que parece mesmo doida. Procurando a foto dela achei uma notícia espetacular: ela quer ser virgem pela 3ª vez! Só lendo pra crer. Enfim, não vim aqui pra falar mal da Ângela Bismarchi, só quero me sentir razoavelmente bem em ficar velha. Tá, eu sei, aparência não é tudo. Mas não é só com isso que tô preocupada, apesar do 'rapaz' dizer que sou linda e blábláblá (homem apaixonado não conta né?), eu também fico encanada por não ter um emprego que pague 10 mil por quinzena, não ter feito mestrado e tal. E olha quanta mulher na minha idade já é doutora! A Lola, a Elenita - só pra citar as divas que eu adoro e leio sempre. E também nem tenho apartamento em Paris ainda! Ô saco...


Ainda bem que eu já vinha há alguns meses pensando num asilo e tô sendo otimista que vou ter grana pra pagar um chique, bem diferente daquele que minha vó esteve, com aquelas velhas loucas roubando o ventilador dela, justo quando fazia 40 graus! Ah não, não vou aceitar isso, preciso me precaver. É pessoal... quando a gente percebe está com 70 anos e ninguém quer saber da gente, principalmente pra quem não tem filhos como eu, nem um mísero sobrinho pra eu chantagear.


(acabou meu chocolate!!! preciso arranjar algo doce logoooo, se não vou ter que partir pros licores)




Pois é, espero não ter entristecido ninguém com meu desabafo, minha intenção é alertá-los, porque a gente faz 30 anos, depois começam as dores nas costas, dali a pouco os joanetes, a menopausa e cova! É a vida pessoal, o que me consola é que não estou sozinha nessa, estamos todos seguindo o mesmo caminho rumo ao mesmo destino: a morte!








Ha ha ha ha ha!










segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Solteiras e Fabulosas!

Hoje à tarde comecei a assistir o presente que mami me deu de Páscoa: o box de Sex and the City. Um pouco tarde, eu sei, mas andei meio ocupada nos últimos 3 meses. Mentira! Eu sempre tenho mil coisas pra fazer, afinal a rotina de 'cafetina' (como diz aquele rapaz) não é fácil e sou tão tão tão desorganizada que não consigo ter tempo pra coisas simples como assistir um episódio de 25 minutos. Na real acho que a culpa não é apenas da minha total falta de organização, que aliada ao meu sério problema de não me sentir sempre à vontade morando com outra pessoa, me bloqueia pra fazer algo simples, como assistir a um seriado bobo que eu adoro. É, eu sou estranha.




O assunto vem a calhar porque o último espisódio que assisti chamava "Solteira e Fabulosa?" e as quatro amigas entraram em parafuso ao perceberem que talvez estivessem fingindo que a vida single fosse uma maravilha. Em um momento Carrie diz: 'desde quando a solidão era a lepra dos tempos modernos?' e eu lembrei de quantas vezes eu disse isso (tá, não desse jeito, mas vocês entenderam). E me perguntei se talvez eu também não fingisse acreditar piamente nessa teoria apenas porque era uma solteira convicta. Me perguntei e ainda não me respondi porque não sei! Será que eu banquei a forte, a autosuficiente, a 'deusmelivre de casar' por medo? Ihh o que vão dizer meus correligionários? Primeiro, a solteira convicta aqui conhece alguém e resolve ir morar com ele menos de um mês depois do 1º encontro. Agora, ela se questiona sobre sua ideia de individualidade, de cada um ter sua casa, cada um no seu quadrado e que a vida sozinha não significa viver na solidão e blábláblá. Qual será o próximo passo? Casar de véu e grinalda, ter 3 filhos, parar de trabalhar, receber mesada do marido e ter como diversão de fim de semana assistir ao macho jogar futebol enquanto conversa sobre fraldas, assaduras e traições com as mulheres dos seus amigos. E no domingo o tradicional almoço na sogra. Meu deus não!!! Só de escrever isso já me deu um nervoso! Mas é contraditório, como eu posso defender a boa vida de solteira se sou (na prática) casada? Tá, eu sei, aquele rapaz é o oposto de um marido chato, machista,egoísta e eu sequer chego perto da cozinha, mas será que isso vale? Quero dizer, é como defender os direitos dos animais e comer uma picanha suculenta no domingo. É como uma pedagoda, que defende veementemente o diálogo e a não-violência na educação dos filhos, chegar em casa e dar uma camassada de pau na filha porque ela não escovou os dentes.


Se bem que... eu defendo os animais e voltei a comer carne, acho que sou um monstro! Acho que o que realmente me incomoda nas relações marido-mulher (porque eu digo meu marido e o homem diz minha mulher? odeio isso!) é a dependência feminina, o viver a vida dele e esquecer da sua, deixar de lado seus desejos e vontades para satisfazer as dele, deixar ele tomar conta de você, mas não no sentido de proteger mas de querer satisfação de todos os seus passos. Se querem me chamar de feminista, obrigada, é um grande elogio. O que não suporto, não admito é ouvir que lugar de mulher é na cozinha, ou aqueles que se dizem liberais: 'tudo bem mulher trabalhar fora, desde que eu chegue em casa e meu jantar esteja pronto, a roupa lavada, a casa limpa e as crianças de banho tomado'.



Mulheres do meu Brasil (rsrsrs): não deixem isso acontecer! Não vale a pena... tudo bem ser (ou ficar) solteira aos 30, 40, 50, existe vida fora do casamento! E uma vida bem melhor do que a de lavar cuecas. E é óbvio que vocês podem encontrar alguém (homem ou mulher) bacana, divertido, inteligente e moderno por aí. Quanto aos homens, são poucos, mas eles existem, até eu encontrei! hehehehe.


Nós somos fabulosas! Solteira, casada, mais ou menos, viúva, nós somos fabulosas sim! Importante é não ter medo. Nem da solidão, nem das relações, algumas valem a pena, e só tentando que a gente descobre né?


Boa semana!