quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Oito anos depois...

Madrugada de 28 de setembro de 2003. Frio, bem frio. Lá pelas 5h começou uma cerração, que só fazia deixar o clima mais triste ainda. Parece que foi ontem, mas lá se vão 8 anos.

Foi um dos dias que me senti mais sozinha no mundo. Tava lá com mãe, pai, irmã, parentes, mas nenhum amigo e isso me deixou mal pra cacete! Não tão mal quanto o fato em si, óbvio, mas queria ter alguém pra dividir um litro de vinho e reclamar da vida. Vida que há poucas horas havia sito tirada de uma das pessoas mais carentes de amor que eu já conheci. Sem amor de pai e mãe, afastado dos irmãos, renegado por muitos, levou vários golpes da vida e sempre se virou sozinho. De fato, eu não tinha porque me sentir sozinha naquela noite se pensasse direito em tudo que ele havia passado...

É foda ver o quanto a vida é complicada pra alguns. E não complicações
do tipo: ah não tenho roupa pra ir na festa sábado, meu cabelo tá uma palha, espero pelo ônibus por meia hora todo dia! Ou até mesmo: que droga, meu pai não me deu o carro quando passei no vestibular, deus! não consigo um marido e já vou fazer 25 anos! Bobagens... Fico me perguntando como algumas pessoas conseguem sobreviver a tantos infortúnios, da onde tiram força? Definitivamente não sei, mas elas têm força e sobrevivem. Pelo menos até os 36 anos, quando são levadas por uma doença tão horrenda e avassaladora.

Difícil aceitar, entender uma perda, mais ainda quando de modo precoce, breve e conturbado. Tanto tempo depois, os momentos bons foram se fortalecendo na memória e passei a questionar menos os porquês. Lembro que foi ele quem me contou história pra dormir pela 1ª vez e da gente brincando de 'comidinha' com os chuchus lá do pátio. Lembro de quando ele teve caxumba, de quando a mãe expulsou ele de casa e uns dias depois ele me chamou lá na esquina pra dar uma foto (3x4!) pra que eu não o esquecesse, rs. Lembro da Carla ensinando ele a escrever o próprio nome e lembro dele anotando o telefone de alguém na parte de baixo do beliche (e o surto que a mãe teve). Lembro de duas loucas brigando por ele na esquina, se atirando em poças de água, coitadas... Lembro de tanta coisa legal e tento não pensar nas suas últimas semanas ainda com vida.

Daquela noite de 2003 lembro que amanheceu um dia lindo! O sol brilhante tomou o lugar da cerração e aquela saga estava por acabar. Despedidas, lágrimas e saudades sob um céu azul
deslumbrante. A partir daí não lembro de mais nada, nadinha. Estranho... Acho que cada um seguiu pra sua casa e foi viver sua vida, eu devo ter feito isso também.

E agora pouco acabo de acender uma vela cor de laranja perfumada (sugestão do rapaz!) pra 'alumiar os caminhos'. Eu não acredito, mas a luz da vela ficou bem bonita e iluminou a sala de um jeito discreto e delicado, como certa pessoa...

domingo, 18 de setembro de 2011

Clipe novo, de presente pra nós!

Pra matar a saudade e lembrar (os desavisados maldosos) o verdadeiro motivo pelo qual ela vai fazer tanta falta: o talento.



(Tony Bennett & Amy Winehouse cantam Body and Soul)


Ah e também pra não deixar passar em branco o dia 14 de setembro, quando ela completaria 28 aninhos!

Saudades de quem, assim como eu, dizia pra quem quisesse ouvir que não prestava, que era encrenca (vide You know I'm no good).


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Há tempos... e a solidão inveterada

"Parece cocaína
Mas é só tristeza
Talvez tua cidade
Muitos temores nascem
Do cansaço e da solidão
Descompasso, desperdício
Herdeiros são agora
Da virtude que perdemos...

Há tempos tive um sonho
Não me lembro, não me lembro...

Tua tristeza é tão exata
E hoje o dia é tão bonito
Já estamos acostumados
A não termos mais nem isso

Os sonhos vêm e os sonhos vão
E o resto é imperfeito

Dissestes que se tua voz
Tivesse força igual
À imensa dor que sentes
Teu grito acordaria
Não só a tua casa
Mas a vizinhança inteira...

E há tempos
Nem os santos têm ao certo
A medida da maldade
E há tempos são os jovens
Que adoecem
E há tempos
O encanto está ausente
E há ferrugem nos sorrisos
Só o acaso estende os braços
A quem procura
Abrigo e proteção...

Meu amor!
Disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem
Lá em casa tem um poço
Mas a água é muito limpa..."






E o vazio só aumenta. Ele sente sua energia esvair, mas não sabe o motivo. 30° lá fora e ele o dia inteiro na cama, dormindo, sonhando, pensando, chorando, sofrendo, querendo sem saber o que querer. Angustiado ele tenta manter um diálogo banal com alguém, em vão. Impossível se concentrar em qualquer assunto. Ele responde que está ótimo, para a irmã ao telefone. O que mais pode dizer? Que preferia estar morto? Isso não é coisa que se diga à irmã. Ela não entenderia... O estômago dói porque, afinal, ele não comeu nada desde sábado à noite. Ele queria um abraço, mas não tinha coragem de pedir. Queria que alguém o confortasse, o fizesse se sentir vivo, amado, aceito. Ele precisava de cuidado, de carinho, da atenção do outro, para se perceber ele mesmo novamente. E o que vai ser dessa noite? Ele espera, confiante, passar por essa noite em paz. Que os demônios durmam, que ele durma, que o sol nasça e faça desse novo dia um alívio para sua alma.

domingo, 4 de setembro de 2011

O clube do filme - O livro


Terminei agora de ler 'O Clube do Filme', de David Gilmour. De todos as escritas do livro, a que mais gostei foi a dedicatória de quem me presenteou:


"Para minha melhor amiga, o que há de grandioso.
Para minha melhor amiga, um clube cheio de filmes com diversão e entretenimento. Para minha melhor amiga, a mais louca das bibliotecárias! E nós sabemos: para ser dos melhores é preciso ser louco!"


Fico pensando se essa história (verídica) tivesse acontecido comigo. Tirando todas as impossibilidades e só imaginando, se minha mãe tivesse permitido que eu não fizesse o ensino médio, que me irritava com a inutilidade da matemática, física, química, etc. Em troca eu não precisaria trabalhar, mas deveria assistir com ela a três filmes por semana, escolhidos por ela. Acredito que - apesar de ser arriscado supor algo desse tipo - duas coisas certas resultariam disso:


1) Eu não teria ensino superior hoje, porque já foi difícil tendo estudado na época certa, por pior que fosse minha escola, ainda assim me ajudou pra alguma coisa.



2) Os filmes escolhidos pela minha mãe não seriam as obras primas que David escolheu. E isso não é um ponto negativo, muito pelo contrário! O cara é crítico de cinema e como todos dessa categoria são superintelectuais e exageradamente esnobes, só importa o cinema-arte. E eu tô cagando pra isso!


Aprendi a gostar de filmes com minha mãe, assistindo tudo que passava na nossa televisão preto e branca sem antena nos anos 80, que o som aumentava e dominuía sozinho. Pobreza? Falta de cultura? Não! Comecei a ir ao cinema bem pequena, levada por minha mãe. E se hoje sou apaixonada por filmes o mérito é dela, obrigada mãe! Não fossem aqueles filmes de terror e os romances que assistíamos à noite, e os dramas e aventuras da sessão da tarde, hoje eu não apreciaria filmes. Filmes simplesmente, mesmo sem a tal arte, porcarias, aqueles sem noção, mas que me divertem, que me dão prazer. Uma boa história, mesmo com péssimas atuações e vice-versa, ou mesmo aqueles que me fizeram perder duas horas da minha vida que jamais vou recuperar hehehe. Eu gosto mesmo é da sensação de estar em frente à tv, comendo chocolate e viajando na onda (uhu sou do surf agora!) do filme!







sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Sobre a Igreja, estupro e assassinato

Quase que diariamente eu me pergunto onde eu estava com a cabeça quando resolvi ser católica apostólica e passar dias da minha semana envolvida com catequese, missa, pastoral disso, pastoral daquilo. Foram quase 8 anos nessa vida. Não sei se eu tava ocupando meu tempo com algo que julgava bom ou se eu queria ser como aquelas pessoas que eu admirava, achava tão felizes. Rá! Acho que era isso, todos eles na igreja pareciam (ou eram, não sei) tão realizados, contentes, cheios de vida e esperança e eu devia me sentir distante disso tudo. Mas também, eu tinha 16 anos, quem não se acha a pessoa mais infeliz do mundo em algum momento da adolescência? Será que eu deveria ter procurado ajuda nas drogas? Ou nas esquinas do Bom Fim? Ah dá no mesmo.

Se bem que, onde eu morava as alternativas não eram muitas naquela época e eu era tapada demais pra me arriscar a sair da minha zona de conforto (lê-se esquina da minha rua, o máximo era um salãozinho que dava umas festinhas, umas 3 quadras de casa). Mas a culpa não era só da minha lerdeza, porque minha mãe não ajudava muito com sua superproteção, me impedindo de fazer qualquer coisa que ultrapassasse seu raio de visão. Enfim, o que quero dizer - fora que dou graças à minha mãe por ter se tornado uma mãe liberal depois - é que se eu não tivesse escolhido a igreja provavelmente teria me tornado uma pagodeira/mariachuteira/siliconada/evoupararporaquiparanaomagoargentedemais, dadas as poucas opções do meio onde eu vivia.



Eu não quero ser ingrata, pois sei que muito da pessoa que me tornei vem daqueles anos todos que participei da igreja. E o mais importante de tudo aquilo foram as pessoas que conheci, os amigos que fiz e mantenho até hoje. Não fosse minha devoção, hoje eu não teria o melhor amigo do mundo: Dani! Ele foi o maior presente que a igreja me trouxe. E o melhor, ele pulou fora junto comigo! Para o caminho dos pecados... ha ha ha.



Comecei esse post pra falar da minha indignação com a história da Igreja ter excomungado mãe, filha e médicos que realizaram um aborto. Só pra entender bem o lance: uma menina de 9 anos estava grávida de gêmeos do padrasto que a estuprava desde os 6. Aí a mãe (vó) depois de esperar a justiça autorizar a interrupção da gravidez ainda tem que ouvir esse tipo de coisa. Ah faça-me um favor papito (é o Bento XVI), vá rezar um terço! Tá, eu sei não foi o Papa e sim o tal Bispo de Recife que fez o anúncio, mas peraí né, quem se importa com isso?? A menina (mãe) pretendia fazer 1ª comunhão será? Ah então pobrezinha vai ter que viver sem esse sacramento, que pecado... como se ela já não tivesse problemas demais!!! E vai ter por muito tempo, sabe-se lá se a vida inteira. Ou alguém aqui acha fácil ser estuprada na inocência dos 6 anos? Ou acha que ela vai superar tranquilamente, que o tempo apaga tudo?? Aham e o Papai Noel vem quando? Ah nem no Noel a menina (agora ex-futura mãe) vai ter a ilusão de acreditar. Que inferno!


Por que eu ainda me indigno com esse tipo de coisa? Queria fechar os olhos e não ler/ver algumas notícias, mas não consigo, não consigo fingir que vivo num mundo perfeito. É revoltante ver semana sim outra também ser noticiado que homem mata ex-mulher/namorada porque não aceitava o fim do relacionamento. Ah não aceitou é magrão? Aí pega a faca de serrinha e corta o pescoço da menina depois de tomarem café da manhã juntos? Menina essa que cresceu contigo, na mesma rua, bonito, né? Filho da puta! (com todo perdão a pobre mãe do rapaz) O que deve passar na cabeça desses cretinos covardes pra fazer isso? Não sabem lidar com o fracasso de uma relação? Bem-vindos ao clube! Quase ninguém sabe, ninguém quer ou torce pelo fim de um romance. Agora ter a prepotência de se achar no direito de ferir o outro, tipo 'já que ela não vai ser minha, não vai ser de mais ninguém'. Ô infeliz, ninguém é de ninguém! Acorda desgraçado! E tomara que acorde todos os dias na cadeia, até o fim da tua vidinha. Isso que estou sendo otimista de acreditar que ele será preso, que é o mínimo que ele merece!