terça-feira, 24 de abril de 2012

Cala-te!


Nem lembrava mais como era me sentir sem voz. O caminho que minha vida tomou nos últimos tempos, de liberdade, de fazer e falar o que me der na telha, me deixou mal acostumada. Não ter chefe, não precisar aguentar gente chata, a não ser alguns clientes, mas depois de um mês longe da Cafeteria, já esqueci. Alegrias de uma vida boa, de quem demorou mas encontrou pessoas com pensamentos parecidos, pessoas com o mínimo de preconceito (porque acho que estamos longe do total desprovimento de preconceitos), pessoas com as quais convivo e posso brincar livremente sem que a sirene toque e tenhamos que voltar à sala de aula. Mas - sempre tem um MAS - sabemos que nada é pra sempre e que momentos chatos estão por aí esperando a hora apropriada para nos tirar da poltrona fofinha.

É ruim não ser ouvida, não ter voz. Não poder completar uma frase sem ser interrompida por frases muito mais interessantes, de pessoas muito mais interessantes e com uma afinidade incrível entre si. Tão incrível que até na hora de interromper a fala alheia eles se combinam. "Esse é o nosso clubinho. Tu não é bem vinda, mas já que veio trate de ficar bem quietinha porque ninguém quer saber tua opinião." Óbvio, como não pensei nisso antes? Sou mulher. E mulher é limitada, pra não dizer outra coisa. O filosofar masculino não deve ser atrapalhado pelas ideias feministas e rasas de uma mulher, ainda mais como eu. Não sou pós graduada, não exalo intelectualidade e adoro brincar! O que me diverte não são discussões acaloradas acerca disso ou daquilo (sempre assuntos chatos com argumentos alimentados pelo maldito padrão). Ou então assuntos técnicos, que poderiam ser coisa de outro mundo pra mim, mas não porque até manjo um pouco da área deles. Ora vejam vocês, sou Bibliotecária. Sou casada com um Arquivista. Meu melhor amigo é um quase Arquivista. Eu já fiz trabalhos com eles. Então, por que raios ninguém me dirige a palavra?? Ninguém pergunta minha opinião?? Simples, ninguém quer saber. O que importa a reles opinião de uma mulher que estava lá apenas acompanhando o marido? Ahhh taí, agora entendi. Essa era minha função. Então boca fechada, Caroline!


Voltando ao assunto diversão, eu dizia que o que me diverte é brincar, falar bobagem, rir das bobagens, fazer coisas ridículas, inventar brincadeiras de adivinhar filmes ou músicas, coisas assim. Isso pra mim é divertido, mas confesso que em algumas situações fico disponível para conversas mais profundas. Eu disse CONVERSA, não palestra. Eu tenho que participar, entende? É uma troca, um fala, outro rebate e assim sucessivamente. E não: homens falam, mulher escuta como uma samambaia.

Não fossem as tentativas do 'rapaz' de me participar da roda social, o clube do bolinha seria perfeito! E como é lindo (not!) ver o ego dos homens saindo pelas orelhas em conversas que mais parecem tentativas desesperadas de reafirmar sua superior inteligência.

Os intelectualóides


Nada melhor do que voltar pra casa, deitar na cama e dormir 11 horas. E ver tudo voltando ao normal. Gente, como eu gosto disso! A vida é bem melhor com Shaun, o carneiro!

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