Hoje o céu está nublado pela primeira vez nessas três semanas de Antônio Prado. Tá mais quente que o normal. O amanhecer foi estranho, achei que fosse chover. No meio da manhã abriu um lindo sol, mas foi ficando tímido. A surpresa veio com o vento que arrastou folhas e poeira na praça, depois do almoço. Estava eu, como de costume, lendo quando começou, parecia vento de chuva, o céu cinza, meus cabelos uma lindeza que só! É estranho o tempo ficar assim numa cidade tão bonita, ela só combina com sol, aliás tudo combina com sol. Não que AP tenha perdido o charme, mas ficou melancólica, triste... Ou talvez seja eu.
Definitivamente não gosto de dias cinzentos, nem no verão, muito menos no frio. Chuva, só as verão e quando consigo não pensar nas pessoas que moram na rua. Gosto de ver temporal (também só quando não lembro de quem pode estar passando dificuldade por isso), acho lindo! Raios, trovões, clarões, chuvarada. Um espetáculo!, como diria D. Marlene, que também é fã de temporal.
Enquanto eu curtia a estranheza da ventania na praça - e voavam folhinhas pra dentro do livro - senti um cheiro bom, conhecido. Cheiro com gosto de infância, de 1994, do Passo das Pedras... Mas era suave, quase imperceptível pro meu olfato quase nulo. Respirei fundo algumas vezes buscando sentir novamente, fechei os olhos e mais uma vez apenas consegui. Difícil explicar, memória olfativa, dizem. Mas foi uma sensação boa, pena ter sido tão passageira.
Já estava difícil concentrar no prefácio à 1ª edição de Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca, escrita por António Alçada Baptista, que estava nas últimas páginas desta edição que estou lendo. Com o vento confundiu tudo! Tem gente com o poder de escrever difícil, né? Mas um difícil que complica mais do que agrada, do que atrai. Tive que voltar várias vezes na mesma frase porque percebia que não tinha entendido nada e estava viajando pensando na novela das 8 ou no sagu da sobremesa. Que saco! Se escritora eu fosse, não deixava um prefácio ter mais de três páginas, tá pensando o quê? Quer escrever mais que o autor? E no final António diz que a análise da obra do cara "merecia um outro e mais extenso prefácio". Jesuis, livra-me dessa análise!
Como sempre gostoso de ler,.
ResponderExcluirAntonio Prado está fazendo com que te voltes para dentro, para as memórias esquecidas aqui nesta vida tão corrida....beijos
ResponderExcluirÉ verdade Carmen, essa solidão aqui está sendo boa. Obrigada pelo carinho, beijos!!
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